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Fonte: Canal Agro+
As Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) seguem como a principal fonte de recursos privados para o financiamento das atividades agropecuárias no Brasil. Em janeiro, o estoque desses títulos alcançou R$ 589 bilhões, alta de 11% na comparação anual, segundo dados do Boletim de Finanças Privadas do Agro, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
Do total registrado, ao menos R$ 353 bilhões foram reaplicados diretamente no financiamento rural, o que representa crescimento de 34% em relação ao mesmo período do ano passado. A publicação é elaborada pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário e reúne informações do Banco Central do Brasil, da Comissão de Valores Mobiliários e das registradoras B3, CERC e CRDC.
O boletim também destaca que o ambiente recente de incertezas tributárias influenciou o comportamento dos investidores. A discussão em torno da Medida Provisória nº 1303/2025, que previa a tributação dos rendimentos das LCAs a partir de janeiro de 2026, provocou aumento na demanda por esses títulos antes da possível mudança nas regras. Embora a medida provisória tenha perdido validade antes de entrar em vigor, a expectativa de alteração no regime fiscal estimulou a procura por papéis já emitidos.
Outro fator que contribuiu para o avanço das LCAs foi a alta dos juros futuros, que tem levado investidores a priorizar ativos de renda fixa considerados mais previsíveis. Nesse contexto, títulos vinculados ao agronegócio ganharam espaço nas carteiras de investidores, impulsionados também pela isenção de imposto de renda para pessoas físicas.
Segundo o sócio do escritório Duarte Garcia, Serra Netto e Terra, Caio Watanabe Rocha de Mello, o movimento reforça a confiança do mercado no agronegócio brasileiro. Mesmo diante de um cenário econômico desafiador e de um período eleitoral, o setor mantém forte capacidade de atrair investimentos privados.
Na mesma linha, o advogado Murilo Balarin destaca que o fortalecimento das Cédulas de Produto Rural (CPRs) tem ampliado a base de lastro das LCAs e contribuído para a expansão do crédito ao campo. Esse instrumento também apresentou crescimento relevante no período analisado.
O estoque total de CPRs atingiu R$ 560 bilhões em janeiro, avanço de 17% nos últimos 12 meses. Na atual safra, entre julho de 2025 e janeiro de 2026, foram registrados R$ 231 bilhões em emissões. Apesar do volume elevado, o montante representa queda de 5% em comparação com a safra anterior.
Outros instrumentos do mercado de capitais voltados ao agronegócio também registraram movimentação relevante. Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) alcançaram estoque de R$ 177 bilhões, crescimento anual de 16%. Embora representem volumes menores que LCAs e CPRs, esses títulos têm papel estratégico ao ampliar a presença do agronegócio no mercado de capitais e aproximar cadeias produtivas de investidores institucionais e pessoas físicas.
Em sentido contrário, os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs) registraram retração. O estoque desses títulos caiu 15% na comparação anual, somando R$ 31 bilhões ao fim de janeiro. Os papéis são emitidos exclusivamente por cooperativas de produtores rurais ou por entidades ligadas às cadeias do agronegócio, com foco no financiamento de suas próprias operações.
O boletim também marca a retomada da divulgação de dados sobre os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro). A publicação havia sido interrompida em março do ano passado, durante o período de adaptação dos fundos às novas regras do Anexo VI da Resolução CVM 175.
Criados em 2021, os Fiagro alcançaram patrimônio líquido de R$ 47 bilhões em dezembro de 2025, distribuídos em 256 fundos em funcionamento. O avanço desse instrumento reforça a participação do mercado de capitais no financiamento do agronegócio brasileiro.