Notícias

CADASTRE-SE E
FIQUE POR DENTRO

Pesquisar

Administrativo e Infraestrutura
Agrário e Agronegócio
Ambiental / ESG
Arbitragem
Contencioso Imobiliário
Contratual
Planejamento Patrimonial, Sucessões e Direito de Família
Empresarial
Imobiliário
Mercado de Capitais
Trabalhista
Prevenção e Resolução de Litígios
Compliance e Penal Empresarial
Tributário
Urbanístico

Na mídia

Fora do Lugar: quando stakeholders deixam o silêncio e entram no debate

publicado em 09/04/2026 10:39

Fonte: ESG Inside

Quanto mais nos aproximamos da Agenda 2030, mais se torna evidente que o mundo segue fragmentado e desarticulado não apenas na ambição de frear as mudanças climáticas, mas também na condução de desafios estruturais como a transição energética, a segurança alimentar, a redução das desigualdades e o fortalecimento de modelos de desenvolvimento sustentável.

Se, de um lado, a União Europeia demonstra empenho e ambição em suas metas ambientais, de outro observam-se posições menos consistentes em diferentes regiões, seja pela ausência de políticas públicas claras, seja por modelos de governança ainda insuficientes para responder à complexidade dos desafios atuais.

Nesse contexto, torna-se evidente que somente a ação política isolada não é suficiente para atingir os objetivos globais. É indispensável o diálogo estruturado entre o mundo empresarial e o mundo público, tanto diante da ausência de políticas eficientes, quanto diante do excesso regulatório que, em certos casos, compromete a competitividade industrial frente a países menos comprometidos com a sustentabilidade.

Assim, os principais stakeholders (CEOs, políticos, economistas, académicos, cientistas e diplomatas etc.) devem assumir um papel ativo e visível no debate público nos próximos anos, consolidando compromissos e estratégias que permitam chegar a 2030 com metas de sustentabilidade efetivamente cumpridas e maior capacidade de resposta aos desafios climáticos, sociais e de governança.

Não se trata de ideologia, mas de sustentabilidade econômica e estabilidade global. A negligência frente às transformações ambientais e sociais tende a produzir efeitos estruturais de longo prazo, como perda de capacidade produtiva, escassez de recursos naturais e aumento de vulnerabilidades sociais, comprometendo diretamente o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

Os sinais já são mensuráveis. Estudos recentes publicados na revista científica Nature Ecology & Evolution indicam uma redução significativa da biomassa global de peixes, estimada em cerca de 20%. Paralelamente, indicadores internacionais apontam crescimento da obesidade em diversas regiões e aumento da insegurança alimentar, especialmente na Ásia Ocidental e em partes da África.

Por isso, fóruns qualificados de debate e articulação tornam-se essenciais. Plataformas estruturadas de diálogo, como o Fora do Lugar, podem desempenhar papel relevante ao promover o intercâmbio de ideias entre stakeholders, reduzir distâncias institucionais e aproximar lideranças em torno de soluções para um desenvolvimento mais sustentável e equitativo.

A nova plataforma portuguesa propõe unir a comunidade lusófona — incluindo Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde e Moçambique — fomentando o diálogo entre setores empresarial, académico, científico e político, além de estimular a formação de capital humano e a aproximação de investimentos de impacto entre os países. O lançamento está previsto para as próximas semanas e deverá reunir representantes do espaço lusófono, aproveitando o potencial económico e institucional favorecido pela partilha linguística.

O projeto conta já com apoiadores institucionais, entre eles a Women in Tech, organização internacional dedicada ao empoderamento feminino por meio da educação, inovação e inclusão digital, e a Generation Resonance, iniciativa ligada ao sistema das Nações Unidas voltada ao fortalecimento da participação jovem em processos globais.

Nesse cenário, a condução do projeto reúne nomes das novas gerações na agenda ambiental, ESG e transição climática, entre eles o cofundador João Maria Botelho, jurista e empreendedor português com atuação internacional em sustentabilidade e governança económica, Embaixador do European Climate Pact da Comissão Europeia e participante de iniciativas ligadas à agenda climática europeia, juntamente com a cofundadora Raquel Burgoa Dias, jurista portuguesa com LL.M. em Direito Internacional Empresarial e investigadora nas áreas de sustentabilidade, estratégia corporativa e mercados regulados, dedicada ao estudo da relação entre concorrência, políticas públicas europeias e tomada de decisão econômica de longo prazo.

No Brasil, a iniciativa conta com André Pereira de Morais Garcia, advogado especializado em direito ambiental, ESG e Mudanças Climáticas, reconhecido como Associate to Watch pela Chambers (2025) e pela Chambers Global (2026), além de destacado pela Leaders League, é membro da Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo e mestrando em Ciências Jurídicas Avançadas na Universidade Pompeu Fabra (UPF), em Barcelona. O advogado será a cabeça na reunião de grandes stakeholders brasileiro para o debate sobre o atual cenário e o futuro mundial sob diversas perspectivas.

O tempo da observação já passou. A próxima década não será definida apenas por políticas públicas ou metas formais, mas pela capacidade real de líderes, instituições e empresas de assumirem posições claras, dialogarem abertamente e construírem soluções conjuntas, Fora do Lugar de sua zona de conforto. Em um mundo cada vez mais interdependente, permanecer em silêncio deixou de ser neutralidade — tornou-se risco. A sustentabilidade, afinal, não será decidida nos discursos, mas na coragem coletiva de participar do debate e transformar ambição em ação.
 

compartilhe:

CADASTRE-SE E FIQUE POR DENTRO