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A consulta pública sobre a regulamentação de grandes geradores de resíduos sólidos e seus impactos para o setor privado

publicado em 04/05/2026 10:39

Fonte: ESG Inside

A consulta pública aberta pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) para regulamentação dos grandes geradores de resíduos sólidos representa um marco importante na gestão ambiental do Brasil, com implicações diretas para uma vasta gama de setores da economia. Esta consulta visa definir regras mais claras e rigorosas sobre a gestão de resíduos sólidos gerados por empresas, indústrias, prestadores de serviços e outros estabelecimentos não residenciais, que produzem volumes significativos de resíduos. O objetivo é garantir que esses resíduos sejam tratados e descartados de forma adequada, respeitando as normas ambientais e contribuindo para a redução do impacto ambiental no país.

A proposta de resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) já está disponível para consulta pública, permitindo que municípios, empresas e cidadãos enviem suas contribuições até a data de fechamento da consulta em 22 de abril de 2026. Essa resolução tem grande importância, pois estabelece as bases para a efetiva implementação dos Planos de Gestão de Resíduos Sólidos (PGRS) nos grandes geradores, definindo requisitos técnicos e operacionais para a destinação correta dos resíduos. Além disso, ela estabelece a necessidade de um cadastro, monitoramento e auditoria sobre o gerenciamento desses resíduos, além de criar um sistema de responsabilidade compartilhada entre os geradores e os prestadores de serviços ambientais. A proposta não só visa otimizar a gestão de resíduos, mas também contribuir de forma efetiva para a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, estabelecida pela Lei nº 12.305/2010, e ao mesmo tempo melhorar a fiscalização sobre esses processos.

Os impactos dessa regulamentação serão profundos, principalmente para os municípios. Hoje, já existem legislações locais que regulam a gestão de resíduos sólidos em diversas cidades do Brasil, como a Lei nº 13.478/2002, de São Paulo, que já exige que grandes geradores adotem o PGRS. Com a aprovação da resolução do CONAMA, as prefeituras terão que revisar suas normas para adequá-las às novas exigências federais. A obrigação de os municípios se adaptarem pode gerar um aumento na demanda por políticas públicas voltadas à gestão de  resíduos e à fiscalização ambiental, além de impactar diretamente a forma como os serviços de coleta, transporte e destinação final dos resíduos são organizados localmente.

Para as empresas e demais grandes geradores de resíduos, a nova regulamentação significa uma série de responsabilidades adicionais. Elas precisarão ajustar suas práticas de gestão de resíduos para atender às exigências da resolução do CONAMA, o que pode envolver a criação ou revisão de seus PGRS, bem como a implementação de novas práticas para a redução, reutilização e reciclagem de resíduos. A destinação final adequada, como a utilização de aterros sanitários licenciados, por exemplo, também será um ponto crucial, e aqueles que não cumprirem com as exigências poderão sofrer sanções, como multas ou até a suspensão de
suas atividades. Portanto, a adaptação a essas novas exigências se torna uma necessidade urgente para evitar riscos jurídicos e ambientais.

Por outro lado, a implementação de novas regras sobre resíduos sólidos também representa uma oportunidade para empresas que atuam na gestão ambiental. A regulamentação iráam pliar a demanda por serviços de coleta, transporte, tratamento e destinação de resíduos, abrindo novas possibilidades para empresas especializadas no setor. Com o aumento da complexidade nas exigências e no controle da gestão de resíduos, gerenciadores de resíduos poderão expandir suas operações e oferecer soluções inovadoras que atendam a um mercado em crescimento e com demandas mais específicas. Em um cenário no qual a sustentabilidade e a responsabilidade social se tornam cada vez mais importantes, essas empresas terão a chance de se destacar, oferecendo não apenas serviços eficientes, mas também soluções que atendem à crescente preocupação com o meio ambiente.

Além disso, a resolução proposta também fortalece o conceito de economia circular, incentivando que as empresas adotem práticas de reciclagem e reaproveitamento de resíduos, o que pode gerar benefícios econômicos e ambientais significativos. No contexto atual, no qual a sociedade está cada vez mais atenta ao impacto ambiental das atividades econômicas, adaptar-se a essas novas regulamentações pode ser uma maneira de as empresas demonstrarem seu compromisso com a sustentabilidade e de se diferenciarem no mercado.

No final, a consulta pública sobre a regulamentação dos grandes geradores de resíduos sólidos é uma oportunidade para o Brasil avançar na gestão ambiental de uma maneira mais estruturada e eficiente. As empresas, indústrias e prestadores de serviços devem estar atentos às mudanças que vêm por aí, já que os impactos serão grandes, tanto em termos de responsabilidades quanto em oportunidades de negócios. A participação ativa de todos os envolvidos no processo de consulta é essencial para garantir que a regulamentação seja eficaz, viável e benéfica para o país, para as empresas e para o meio ambiente.
 

por

Bruno Vinciprova Pileggi

Associados
por

Douglas Nadalini

Sócios
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